Urolitíase vesical em cães e gatos: como prevenir e tratar

Você sabe como prevenir e tratar Urolitíase em cães e gatos? Neste artigo explicamos tudo para você.
Artigo Urolitíase em cães e gatos-Como prevenir e tratar Hospital Veterinário Butantã

Escrito por

Ingrid da Conceição

A urolitíase é uma desordem caracterizada pela presença de concreções macroscópicas em qualquer porção do trato urinário, não devendo ser entendida como uma doença, e sim como a manifestação clínica de uma ou mais anormalidades, que podem ou não ser identificadas e corrigidas.  Sendo assim, para desenvolver abordagens terapêuticas eficazes, é essencial uma investigação minuciosa para identificação desses prováveis distúrbios que possam estar levando à formação de cálculos, a fim de minimizar futuras recidivas.

Importante ressaltar logo de início que cristalúria se refere à identificação de cristais durante a avaliação microscópica da urina, não podendo, portanto, ser interpretada como um sinônimo de urolitíase. Além disso, alguns tipos de cristais podem se precipitar na urina de animais saudáveis, não sendo necessário nenhum tipo de intervenção medicamentosa ou dietética, uma vez que a cristalúria como fator de risco para formação de cálculo ainda é incerta.

Os mecanismos envolvidos na formação de urólitos em cães e gatos ainda não são totalmente compreendidos, entretanto, quatro condições são muito bem aceitas atualmente, e quando combinadas, favorecem ainda mais a formação de cálculos. A supersaturação urinária predispõem naturalmente ao aumento da cristalização, da precipitação e da consequente agregação desses cristais, e quando associada à deficiência de inibidores de cristalização e agregação na urina, o quadro é potencializado. A estase de partículas na urina secundária a um baixo fluxo urinário acaba favorecendo a supersaturação do meio, que quando aliada a uma matriz de agregação de cristais, pode promover a formação do núcleo do urólito. 

Os principais tipos de cálculos urinários em cães e gatos são oxalato de cálcio, fosfato amoníaco magnesiano, fosfato de cálcio, urato de amônia, xantina e cistina, que apresentam fisiopatologia e manejo específicos. Através de análise quantitativa em camadas, método laboratorial em que é possível a quantificação dos componentes e a distinção entre camadas, o urólito pode ser classificado em simples, misto e composto, de acordo com sua composição química. Apesar de poucos laboratórios disponibilizarem desse serviço, o conhecimento da composição das camadas do cálculo é essencial para que se estabeleçam as possíveis causas de sua formação e se desenvolva um plano de tratamento e prevenção bem-sucedido.

As manifestações clínicas das urolitíases variam de acordo com a localização, tempo de permanência e presença ou não de infecção do trato urinário associada. De forma geral, quando não há obstrução uretral, cursam com hematúria, disúria, estrangúria, periúria, e/ou polaciúria, entretanto, alguns pacientes podem ser assintomáticos.

Não é possível predizer a composição do urólito ainda no paciente, pois como já mencionado, precisamos da análise quantitativa e em camadas para tal, e isso só é realizado após sua remoção ou eliminação espontânea pelo paciente. Entretanto, alguns dados da anamnese, características fenotípicas do paciente, dieta, presença de fatores predisponentes e exames laboratoriais e de imagem podem nos auxiliar para uma melhor determinação da conduta.

O tratamento da urolitíase vesical em cães e gatos pode ser baseado na dissolução medicamentosa e/ou dietética do cálculo, ou em sua remoção através de técnicas tradicionais ou minimamente invasivas, a depender da composição, tamanho e forma do cálculo, das manifestações clínicas causadas e características anatômicas do paciente. No entanto, independente do protocolo instituído, é de suma importância o manejo das prováveis condições que levaram ao seu aparecimento.

A prevenção de cálculos vesicais está diretamente associada ao entendimento dos mecanismos de sua formação e dos fatores predisponentes para aquele indivíduo, sendo que, de forma geral, as estratégias utilizadas envolvem meios de reduzir a supersaturação urinária e aumentar a frequência de micção, dificultando a precipitação e agregação de cristais. 

Ingrid da Conceição.

Médica veterinária especializada em nefrologia e urologia.

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